domingo, 20 de abril de 2014

20/04/2014


É  necessário que o escândalo (tudo o que leva o homem à queda) venha, porque, estando em expiação na Terra, os homens se punem a si mesmos pelo contacto de seus vícios, cujas primeiras vitimas são eles próprios e cujos inconvenientes acabam por compreender. Quando estiverem cansados de sofrer devido ao mal, procurarão remédio no bem. A reação desses vícios serve, pois, ao mesmo tempo, de castigo para uns e de provas para outros. E assim que do mal tira Deus o bem e que os próprios homens utilizam as coisas más ou as escórias.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo VIII - Bem aventurados os que tem puro o coração

terça-feira, 15 de abril de 2014

UM HOMEM MAU, QUE QUERIA SER BOM - Reflexão de Texto dos Evangelhos

"Lembra-te de mim, Jesus, quando entrares no teu reino"...
"Em verdade te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso"...
Diálogo mais estranho nunca se travou no mundo do que êste, de cruz a cruz, entre dois moribundos.
"Lembra-te de mim" - quem pede apenas uma gotinha de amor no meio dum inferno de dores não é homem mau.
O homem intimamente mau maldiz os seus sofrimentos e os autores dos mesmos.
O homem mesquinho pede libertação dos tormentos ou aceleração da morte.
O ladrão da cruz pede apenas uma lembrança, um pouco de amor...
Pede uma migalha daquilo cujo falta o tornara celerado, perverso e cruel;;;
Desde pequeno, queria êle ser bom - mas os homens o fizeram mau, porque lhe negaram compreensão e amor...
Deu um passo em falso - e as leis desumanas dos homens o condenaram como malfeitor...
A companhia perversa da prisão induziu a ser mau a quem queria ser bom...
E, quando terminou a sua pena, andou pelo mundo com o estígma de criminoso - e nunca mais encontrou entre os "homens honestos" quem lhe desse uma migalha de amor...
Arrastou-se pela existência noturna com a alma gelada duma frialdade polar...
Só na hora suprema da vida, no alto do patíbulo, encontrou, finalmente, um homem humano - seu companheiro de suplício...
Encontrou um homem que acreditava mais nas saudades de sua alma do que nas maldades de sua vida...
Encontrou um homem que o amava e queria bem....
E o "bom ladrão" sentiu uma tépida aura de benevolência a envolver-lhe a alma gelada...
E, entre o degelo primaveril desse olhar de amor, pediu ao colega de tortura que dele se lembrasse, à luz do seu reino...
Não pediu vingança para os seus inimigos, não pediu alívio na atróz agonia - pediu aquilo cuja falta fizera de sua vida um inferno: uma migalha de amor...
Uma lembrança apenas...
Um pensamento carinhoso...
Uma gotinha de amizade...
"Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino"...
E conseguiu na morte, de um moribundo, o que em vida jamais conseguira dos vivos...
E, pelo pouco que pediu, recebeu o muito que não ousara dizer: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso"...
Sobre as cabeças da multidão ululante, trava-se então, de cruz a cruz, entre dois moribundos, uma amizade sincera, sagrada, eterna...
Amizade entre um homem divinamente bom e um homem mau que queria ser bom, e que se fêz bom pelo amor...


(De Alma para Alma).
Fonte: http://www.espiritbook.com.br/

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